BRASIL DE ONTEM, E BRASIL DE HOJE (poema)
A TELA DA VERDADE
Num sono irreversível da Verdade, que jamais há de ser revelada.
Esta, certo dia, talvez deparando -se com almas inalcançáveis e corações fibrosos, dissipou para sempre.
Mentes que no limite do que se vê com olhos carnais e análise superestimada, almejam tocar fatos.
Fatos estes, que se encontram dissolvidos nos espíritos daqueles, que hoje são vilões para uns e heróis de outros...
Quem haverá de ter razão, quando esta parece estar de posse particular de todos e de ninguém?
Tolo quem imagina esta possuir...
Eis que vilões são heróis e heróis nos são vilões.
Cada qual agiu outrora, assim como nós vis espectadores, no calor de seus orgulhos como se obtivessem o martelo do Juízo!
Estamos nós hoje, a dar continuidade ao enfraquecimento da História! Somos aqueles que fortalecem nossas convicções pessoais apagando covardemente sílaba a sílaba da verdade recolhida.
Somos assim, vítimas e culpados perante olhares opostos, portadores de um juízo infantil.
E nessa degradada consciência do que foi que ocorreu, não portamos Verdade alguma a não ser resquícios dela, tomando para si a parte que lhe convém.
Resquícios estes, espalhados com o vento do orgulho e negligência nossa. Porções ínfimas em cada um, abstendo-nos num todo, de assistí-la por completo.
E somente quando, nós de posse do resquício entendermos, que é apenas se unindo toda peça de uma tela que se enxerga realmente sua face, e seu "ser".
Os fatos são História recolhida, dissipada e perdida, por não termos humildade de unirmos cada um, e obtermos a Verdade através da igualdade entre aqueles que a assistem e aqueles que a viveram.
Escritora Tereza Reche



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